Colunas do Vagner

O Outono – Coluna do Vagner

9/05/2019 às 10:01 | Tags:


Olá galera!

Preciso confessar umas coisas com vocês: está cada vez mais difícil aparecer por aqui: nas férias faço mil planos, planilhas, cronograma, planejamentos… mas, quando o ano começa tudo vira um grande bagunça: parece que vem um vendaval e tira tudo da ordem. Ainda assim, fico esperando os dias para que eu consiga um tempinho e escolher algumas palavras escritas pra conversar com vocês …
Quem me acompanha a algum tempo deve ter uma vaga lembrança que a cerca de dois ou três anos atrás eu me aventurei num projeto chamado “As Princesas das 4 estações”. Levou mais de um ano para ser concluído e este ano decidi retomá-lo.

Meus projetos possuem sempre muitos objetivos. Tantos que eu me perco neles, tantos que eu me esqueço e a medida que vou me esquecendo vou sobrepondo objetivos sobre objetivos e, ao final, o resultado muda a cada olhar. Mas não vejo nisso um problema: tem situações que devemos nos permitir uma mudança constante ou, como já tão bem cantou Raul Seixas: “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”…

Sou um pouco assim e é sempre bom lembrar que tudo o que tem vida, vive sobre mudanças e metamorfoses. Ainda acredito que a natureza seja uma das mais sábias professoras, companheiras e conselheiras.
Foi pensando nisso que quero trazer a fala da “Princesa do Outono”.

Ela foi uma custom muito especial de Gabriel Silva que chega nos trazendo dois convites:
O primeiro convite é a renovação da vida e amadurecimento; reflexão e recolhimento.
O segundo convite é que devemos nos voltar e observar, atentamente, a natureza.

Nos ensina que devemos fazer como as árvores que deixam suas folhas caírem. Essas folhas não aguentariam o inverno, alterando o ciclo de respiração da árvore, prejudicando sua saúde e, ao caírem no solo, protege e é absorvida pela terra, transformando-se em alimento para as raízes, retornando em forma de nova energia para a seiva da mesma árvore. O que poderia ser considerado uma grande perda torna-se um importante ganho: a árvore prepara-se para enfrentar o inverno e chegar revigorada para as próximas estações que exigirá dela muito esforço para que se produzam novas folhas, flores e frutos.
Há uma grande lição nisso tudo: precisamos deixar ir aquilo que precisa ir, precisamos no desapegar de tudo aquilo que se tornou seco, pesado, desnecessário …

Desapego geralmente está associado com o sentimento de sacrifício. Gostaria de dividir com vocês uma descoberta que fiz, quando estava escrevendo essa matéria: a palavra sacrifício vem do latim Sacrificium e quer dizer “ofício sagrado”, uma ação que possui caráter sagrado, a prática de oferecer vida aos deuses.
Ops …

… Parece que este papo está ficando profundo demais para uma conversa descontraída mas, talvez seja isso mesmo que eu quero.

Quero o sacrifício, Quero o sagrado ofício, oferecer vida aos deuses, oferecer vida à vida.
Mas, para isso, é preciso que tomemos consciência daquilo que é essencial e diferenciar daquilo que é superficial em nossas vidas!
Descartar o que é superficial, supérfluo, artificial para poder resgatar e preservar o que nos é essencial e, o mais incrível que essa é uma descoberta única e exclusivamente pessoal. Cada um possui suas verdades, sua essência…

É no outono que os últimos frutos amadurecidos são colhidos para serem armazenados. Com isso, acredito que as árvores também nos trazem outro alerta: devemos avaliar o que foi plantado e o que foi colhido.
Valeu a pena?

Os frutos colhidos são suficientes, faltaram, sobraram para que passemos o nosso inverno particular com conforto e dignidade?
O outono é um momento de reflexão e introspecção.
De fazer escolhas, preparar a terra do nosso corpo, da nossa mente e do nosso coração, preparando-nos para que as boas sementes possam cair e serem germinadas. O que for plantado na primavera, o que crescer no verão, estará pronto para ser colhido no próximo outono para suprir nossas necessidades no inverno. Assim é a vida, um ciclo.

A fartura e prosperidade da colheita dependerá de nossos esforços hoje, do nosso plantio e cuidados de amanhã. O que colhemos depende do que plantamos.
Gosto do ditado “quem planta vento, colhe vendaval!”
E, o pior é que eu amo o vento, assim como eu amo a chuva, o brilho do sol e o frescor do orvalho da manhã …
Desejo a todos que tenham ótimos momentos de reflexão, colheitas e aprendizado!