Colunas do Vagner Encontros

O que dizer sobre um blythecon?

9/11/2018 às 18:22 | Tags:

Olá galera!
Desde que eu e Cris Bottallo assumimos o site, inúmeros acontecimentos aconteceram que nos impedem de escrever e atualizá-lo como gostaríamos.

Todos sabem que o site permanece muito próximo do que foi idealizado pelas antecessoras, mas que eu e a Cris temos nossas colunas pessoais, onde quase tudo é médio permitido – rs. Nos presenteamos com certa liberdade para conversar com os leitores do site.

Hoje quero falar um pouco sobre Blythecon e sobre o Blythecon Floripa. Entendo ser um encontro oficial, nacional de colecionadores e admiradores das bonecas Blythes. Isso não significa que outros encontros não possam acontecer, com suas próprias características, sempre que as pessoas quiserem, com nomenclaturas diversas.

Penso que preparar um blythecon seja uma das tarefas mais árduas que existe: são inúmeros detalhes que só quem organiza um evento consegue mensurar. Ainda penso que um BC é um evento feito por colecionadores, para colecionadores. Todos podem ajudar, de diversas e infinitas maneiras. E isso independe do local ou da equipe organizadora. Ainda que eu ame o mundo da fantasia, sei que todos possuímos nossas afinidades e desafetos no microcosmo das Blythes. Pensar diferente ou fingir que essas diferenças e desafetos não existam é utopia e alienação mas podemos tentar minimizá-los de tal maneira para que o evento cresça e ganhe, cada vez mais, as cores, a identidade e a cultural local.

Desde o início a comissão organizadora criou maneiras de interação entre as pessoas. O BC RJ fez inúmeras brincadeiras de premiação e me perdi em todas elas. Não consegui cumprir as metas que eu havia estabelecido de participar da contagem regressiva, de colar os carimbos no passaporte, etc. Sendo eu uma bicha atrevida, mantive o hábito da contagem regressiva, por minha conta e risco: Fátima Silva da Amelie Paris for dolls costurou uma coleção inteira de vestidos de renda para participar da brincadeira: para mim, desde o começo, Florianópolis significa renda, muita renda …

Não pude contribuir financeiramente com o evento, inclusive a boneca conceito que doaríamos não ficou pronta tempo. Por isso o grupo Modus do Brasil convidou publicamente colecionadores para se inspirarem no tema “Mitos e Magias” de Floripa para montar uma exposição que foi bem interessante: cada um pôde interpretar o tema à sua maneira e o resultado pode ser conferido por meio das fotos. Durante os meses que antecederam o concurso, o Modus do Brasil conseguiu 4 premiações (3 vales cunstons de Mariana Pellegrini, Fabi Alves, Jacqueline Maciel e 1 máquina de costura proveniente do BC Rj). Para não haver nenhum tipo de favorecimento, os convidados não souberam quem tinha feito qual look pois todas as criações continham apenas um número que o convidado votava. Perto do término do evento a comissão organizadora contou os votos e, por ondem do look mais votado, os participantes iam sorteando um papelzinho que estava escrito seu prêmio.

Eu gostaria de falar também da exposição que fiz individualmente neste Blythecon. Desde criança amo borboletas e amo cores. Penso que a borboleta seja um dos animais mais encantadores criados: diversos formatos, cores, tamanhos nos presenteiam com suas cores esvoaçantes. Ultimamente, na minha vida pessoal, estou enfrentando uma crise (consequência da crise econômica, ética, moral e social que o Brasil vem enfrentando a anos) que se abateu na educação e na maneira como profissionais, famílias e alunos entendem a educação. Em 20 anos de docência, preciso reaprender a me posicionar, preciso me transformar constantemente e, qual seria o melhor símbolo que materialize meu desejo/necessidade de transformação? A borboleta. Também foi uma forma de gratidão à Mara Gusmão por ter me recebido tão carinhosamente em Curitiba me apresentando uma cidade e lugares inesquecíveis. Curitiba merece um Blythecon, nós merecemos um Blythecon em Curitiba.

Cada um escolhe ir a um Blythecon por diversos motivos. Este ano está sendo um momento de rever meus gastos, pensar em prioridades e fazer economias e, um dos pontos mais fortes para que eu tenha decidido ir a este Blythecon Floripa foi conhecer pessoalmente uma das costureiras mais talentosas que conheço: Fátima Silva. Em todos os nossos contatos pelas redes sociais sempre tive a impressão de conversar com uma fada. Quando as encomendas chegavam em casa, tinha a certeza de que Fátima Silva contrata centenas de fadinhas pra fazer costurices incríveis. Quando a conheci pessoalmente tive a certeza de conhecer um ser humano incrível: uma própria fada encarnada. Tivemos uma recepção digna de uma família imperial: salgados, doces, quitutes fizeram nossa alegria após mais de 12hs de viagem de ônibus. Mas, o melhor alimento que recebemos foi o carinho, atenção, dedicação, sorriso, encanto que Fátima Silva e toda a sua família (marido, filhos, nora, genro e agregados) estenderam a 7 pessoas (infelizmente faltou você Luciane Rossi) que tornou-se inseparável nas aventuras de um Blythecon. Uma casa deliciosa, acolhedora, alegre e com as melhores energias que poderíamos receber, nos acolheu durante o evento (para alguns do nosso grupo antes e depois também). Uma viagem dessas, alimenta a alma!

Nem só de alegrias vive um blythecon. Senti falta de muita gente querida, das antigas, como dizemos. Até tentei nomeá-las aqui, mas, a cada leitura, percebia que tinha esquecido alguém. Então decidi citá-las genericamente – rs. Ainda assim conheci pessoalmente pessoas muito queridas!!!!

Acabei falando muito e ainda nem comecei a falar o que eu desejava: desde a recepção com meninas super simpáticas, a organização do evento desdobrou-se de maneira ímpar para que os convidados ficassem muito à vontade para “passear” por todas as lojinhas, cada uma com peças e acessórios incríveis. Penso eu que este blythecon foi um dos que eu mais gastei e não comprei nem 1% de tudo o que eu gostaria de ter comprado. Pudemos também apreciar com calma as exposições (mesa decorativa, exposição do Modus do Brasil, exposição de telas). Vocês não podem imaginar o carinho com que a comissão organizadora nos recebeu: cada xícara possuía uma fita temática, cuidadosamente amarrada na asa.

Um assunto sempre muito delicado em se tratando de reunião de pessoas é a comida e isso seria um capítulo à parte, bastante pitoresco, em se tratando de Blythecon. Já tivemos muitos babados com comida. Para o BC Floripa, foi nos prometido um café colonial mas nos foi servido um verdadeiro banquete. Tudo muito soboroso, apetitoso, na temperatura e quantidade adequada. Duvido que alguém tenha ficado sem experimentar, deliciar ou se fartar de alguma iguaria servida no evento.

Outro ponto que gostaria destacar é o local. Penso que um blythecon é uma incrível oportunidade para se conhecer lugares novos. Já fui a Florianópolis para apresentar um trabalho sobre Clodovil e não pude conhecer a cidade: apenas conheci o Centro Histórico. Desta vez a própria sede do evento aconteceu num lugar paradisíaco: passamos a tarde toda com a Lagoa da Conceição emoldurando nossas ações. E, no domingo, pude conhecer praias lindíssimas e bairros encantadores.

Eu tentei, durante todo o evento, fazer um registro mais pontual para minha coluna no site. Óbvio que não consegui…
Mas a queridona Chris Norris tirou fotos belíssimas do evento!

Para o próximo Blythecon o grupo Modus do Brasil já iniciou algumas reuniões de pauta para estabelecer o conceito da exposição que será feita no BV Ribeirão Preto.
Aguardem …

Vídeos

E mais uma Neo saindo da Caixa…

16/10/2018 às 10:35 | Tags:

Olá amigas e amigos do WeLoveBlythe…
Desculpem a ausência por essas semanas, ainda estamos aqui nos organizando para fazer o site andar.
Fato que não estamos conseguindo manter nossa regularidade ainda, mas isso vai se ajeitar, acreditem!

E, por hora, que tal assistir um vídeo divertido?
Vamos lá, mais uma Neo saindo da caixa, e uma dos lançamentos dessa ano. A meta é organizarmos o site aqui com todas atualizações até o final do ano.
Obrigada pela compreensão!

Colunas do Vagner

Ser Humano x Boneca

1/09/2018 às 14:32 | Tags:

Era uma vez Deus, e Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Por algum motivo, criou a mulher também. Idéias muito simplistas e machistas para mim.

Porque Deus tem que ser homem?
Porque ele teve que criar o homem primeiro e não pôde criar os dois juntos?
Não aceito que venham com aquela ideia “machista ao contrário” que Deus fez primeiro o homem como rascunho para depois fazer a mulher, sua obra-prima!!!

Prefiro acreditar que Deus criou o ser humano!
E o ser humano, logo quis imitar o seu criador e inventou um objeto confeccionado à sua imagem e semelhança e criou a boneca!

E é um pouco sobre a imagem das bonecas que eu quero falar um pouco hoje.
Quando estamos com as nossas bonecas, neste caso, com nossas Blythes, nos tornamos “pais” e “mães” de objetos confeccionados em borracha e plástico. Mas esses mesmos objetos materiais, sem vida, podem despertar em nós sentimentos humanos.

Por meio de nossas fantasias, criatividade e emoção, conferimos vida às bonecas. Um dos motivos pelos quais isso acontece está diretamente ligado ao fato das Blythes não estarem definitivamente acabadas e prontas, aceitando facilmente customizações das mais diversas.

Para uma Blythe ser uma Blythe, por exemplo, precisa da intervenção do ser humano, ou seja, de seu dono ou de sua dona. Essas bonecas nos permitem a arrumação dos cabelos, a troca das cores dos olhos, da maquiagem e das roupas. Por não serem cópias fiéis e proporcionais à forma humana contribuem para um constante exercício da nossa criatividade, da nossa fantasia e do nosso senso estético.

A boneca em nossas mãos torna-se nosso próprio espelho, refletindo nossas experiências de vida, culturais e estéticas. São vistas, virtualmente e presencialmente, pelas pessoas que queremos que elas sejam vistas.

Quando estamos com nossas bonecas exercitamos a divindade em nós. Nos tornamos um pouco Deus, pois elas se tornam dependente de nossos caprichos, vontades e desejos. Exercemos nosso domínio, nossa postura de criação e de cuidador, afinal, nossas bonecas se vestem de acordo com a nossa própria vontade, aliada, é claro, aos recursos financeiros com que dispomos.

O guarda-roupa de nossas Blythes poderiam se constituir um capítulo à parte. O ato de se vestir é puramente humano: o uso das roupas implica em um sentido social profundo pois envolve as questões de identidade de quem se veste, ou então, as questões de identidade de quem veste a boneca.

Ao vestir uma Blythe estamos nos conectando à uma rede de relações de trabalho: quem planta, colhe, comercializa, transporta, armazena, beneficia, transforma o algodão em fibra, depois transformando-o em fio para depois ser transformado em tecido; acionamos ainda quem tinge e estampa o tecido, quem comercializa o tecido pronto, quem compra os tecidos e os transformam, por meio do criação de modelos, corte e costura, verdadeiras obras de arte. Isso porque nem mencionei os aviamentos e a própria matéria prima utilizada para a confecção de nossas Blythes.

Independente da idade (cronológica e psicológica) que possuímos as bonecas se constituem em companheiras diretas de nossas vidas. Normalmente não conseguimos estabelecer essas mesmas relações com os outros objetos. Por meio das relações ser humano X boneca podemos vivenciar (inconscientemente ou conscientemente) alguns valores de humanidade: tratamos as nossas bonecas como podemos tratar as pessoas que nos cercam.

Quando criança, meninos e meninas, indistintamente, deveríamos ter brincado muito de boneca: a maneira que tratamos nossas bonecas nos permitem aprender a tratar as crianças que passarem pelas nossas vidas, sejam elas nossos filhos, alunos, ou as crianças que nos rodeiam diariamente. Por isso, a importância de se “brincar” e de se conviver com bonecas, quando criança (e talvez quando adulto também) por se constituir em uma oportunidade, um treino para se adquirir a responsabilidade necessária quando adulto, independente de sermos menino ou menina. Afinal, antes de sermos meninos e meninas, ou então, antes de nossos filhos (ou futuros filhos) serem meninos e meninas, não somos todos seres humanos que devemos aprender, desde cedo a conviver com outros seres humanos?

Nesta questão de convivência, penso que poderíamos refletir:
– Quem eu sou e, quem eu quero ser, como ser humano?

Será que tratamos melhor nossas Blythes do que as pessoas que nos cercam?
Muitos de nós conversamos com nossas Blythes, ficamos preocupados e pedimos desculpas quando deixamos nossa Blythe cair, sem querer, mas será que pedimos desculpas quando esbarramos com alguém? Somos gentis com as nossas bonecas, mas será que somos gentis com as pessoas que nos cercam (mesmo as desconhecidas)?

Tomara que as Blythes possam a nos ensinar a nos tornarmos seres humanos um pouco melhores.